Maria João Cantinho
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, Philosophy, Department Member
- UTAD - UNIDCOM/IADE, Photography, Faculty Memberadd
- Philosophie, Paul Celan, Walter Benjamin, Photography, Jason Wirth, Émmanuel Lévinas, and 26 moreExercices Spirituels Et Philosophie Antique, Paul Celan Und Heidegger (Poétique Et Philosophie, Meister Eckhart, Hegel, Poiétique, éthique du tragique, Jewish Identity, Holocaust, Tradition, Secularism, Hannah Arendt, Gershom Scholem, Rhetorical Analysis, Literature, Art, Aesthetics, Avant-Garde, Modernism, Violence, Philippe Alain Michaud, Aby Warburg, Gilles Deleuze, Continental Philosophy of Religion (Philosophy), Jewish Messianism, Jewish Philosophy, and Werner Hamacheredit
Abstract Georg von Hamann’s philosophy of language is known to be extremely important in the forming of young Walter Benjamin’s thought. The refusal of instrumentalism of language and his concepts of pure and messianic... more
Abstract
Georg von Hamann’s philosophy of language is known to be extremely important in the forming of young Walter Benjamin’s thought. The refusal of instrumentalism of language and his concepts of pure and
messianic language, in the 1916 text, «On Language as Such and the
Language of Man», when he points his critique of the bourgeois concept and refusal of language as a medium, is created in a particular concept that constitutes one of the main vectors of his thought. Not only does Hamann appear as a privileged author, as quoted in the text, but he also borrows from other authors such as Herman Cohen, a Neo-Kantian, and still seeks the genesis of a messianic conception of language in the Kabbalah. In this text appear
not only the authors who so greatly influenced Bejamin’s concept of language but also how Benjamin integrated that influence and created new configurations in his thought. It is in language, experience and also history, that young Benjamin sets, since early on, the bases of his thought and of his work, while establishing a dialog with his influencing authors. What matters the most, however, is not so much the
marking of his thought, but especially the way the markings are inscribed in the singularity of his work.
Keywords
Language, Messianic, History, Experience, Translation
Georg von Hamann’s philosophy of language is known to be extremely important in the forming of young Walter Benjamin’s thought. The refusal of instrumentalism of language and his concepts of pure and
messianic language, in the 1916 text, «On Language as Such and the
Language of Man», when he points his critique of the bourgeois concept and refusal of language as a medium, is created in a particular concept that constitutes one of the main vectors of his thought. Not only does Hamann appear as a privileged author, as quoted in the text, but he also borrows from other authors such as Herman Cohen, a Neo-Kantian, and still seeks the genesis of a messianic conception of language in the Kabbalah. In this text appear
not only the authors who so greatly influenced Bejamin’s concept of language but also how Benjamin integrated that influence and created new configurations in his thought. It is in language, experience and also history, that young Benjamin sets, since early on, the bases of his thought and of his work, while establishing a dialog with his influencing authors. What matters the most, however, is not so much the
marking of his thought, but especially the way the markings are inscribed in the singularity of his work.
Keywords
Language, Messianic, History, Experience, Translation
Research Interests:
Trata-se de um trabalho que aborda o Conceito de Alegoria, ao longo da obra de Walter Benjamin, desde o texto "A Origem do Drama Barroco Alemão" aos textos sobre Baudelaire e a Modernidade.
Research Interests:
"RESUMO Esta tese visa analisar o conceito de messianismo na obra de Walter Benjamin. Procuramos, acima de tudo, mostrar que este conceito não é um tema pacífico e que reúna o consenso, mas, pelo contrário, é muito polémico e... more
"RESUMO
Esta tese visa analisar o conceito de messianismo na obra de Walter Benjamin. Procuramos, acima de tudo, mostrar que este conceito não é um tema pacífico e que reúna o consenso, mas, pelo contrário, é muito polémico e controverso, na sua obra. Se, por um lado, numa primeira fase, Benjamin revela nos seus textos, de forma muito clara e explícita, a presença dessa tonalidade messiânica, por outro, nos textos mais tardios, a presença do elemento messiânico desvanece-se, sob a presença mais forte e mais visível do materialismo histórico. Todavia, o elemento messiânico na sua obra nunca desapareceu e a prova derradeira é o seu ressurgimento nos últimos textos que redige em vida: O Livro das Passagens e Sobre o Conceito de História.
Por um lado, o messianismo permite-lhe recuperar a tradição judaica, que ele considera em decadência, e dar-lhe um novo ânimo, insuflando o messianismo tradicional com conceitos mais dinâmicos e que pudessem aplicar-se ao conhecimento filosófico e da história. Bebendo no Primeiro Romantismo e em Hamann, Benjamin reencontra nesses autores o verdadeiro espírito de um messianismo que pretende revigorar e, com ele, fortalecer a tradição, no seu sentido mais autêntico. Trata-se de utilizar as categorias de redenção, catástrofe, rememoração, apocatastasis, salvação, linguagem messiânica e história messiânica para revolucionar conceitos que, na sua óptica se encontram em decadência espiritual; isto é, de recuperar esses conceitos do judaísmo tradicional e integrá-los no pensamento filosófico contemporâneo. Face ao desgaste do conceito de experiência kantiana, busca apresentar um novo conceito de experiência superior, que possa abrir-se a uma nova compreensão da história e da tradição. Face ao desgaste de uma concepção da linguagem, prisioneira da sua instrumentalidade, opor-lhe uma nova concepção da linguagem, metafísica e messiânica, capaz de redimir a experiência e a história. Face a uma concepção esvaziada do tempo, um tempo quantitativo e visto na sua sucessão e continuidade imparável e catastrófica, opor-lhe uma concepção de tempo qualitativa que restitua à história a sua dimensão autêntica. Face a uma concepção da história vista de forma progressista e privilegiando apenas os "vencedores", opor uma verdadeira concepção da história que seja capaz de, por um lado, interpretar dialecticamente os factos históricos enquanto fenómenos originários; e, por outro lado, reparar as injustiças e fundar uma ordem messiânica capaz de salvar a própria história, redimindo-a. Assim, é preciso "destruir" e interromper a ordem imparável da história do progresso para (tentar) salvar a experiência e a tradição humanas. Só uma história dialéctica, em que os conceitos fundamentais operatórios sejam a rememoração e a imagem dialéctica, pode salvar a história da catástrofe. Porém tal não se constitui como uma utopia extra-terrena, mas antes uma exigência de fazer com que o presente irrompa, em toda a sua força, constituindo os verdadeiros instantes históricos, o tempo do agora, do Jetztzeit. Só a força do presente, reactualizando e rememorando o presente, pode salvar o conhecimento da história, apresentando-o na imagem dialéctica. Essa é a verdadeira visão messiânica, em que a história e linguagem se fundem, na actualidade plena e integral - entenda-se: messiânica.
Palavras-chave: Messianismo, Revolução, História"
Esta tese visa analisar o conceito de messianismo na obra de Walter Benjamin. Procuramos, acima de tudo, mostrar que este conceito não é um tema pacífico e que reúna o consenso, mas, pelo contrário, é muito polémico e controverso, na sua obra. Se, por um lado, numa primeira fase, Benjamin revela nos seus textos, de forma muito clara e explícita, a presença dessa tonalidade messiânica, por outro, nos textos mais tardios, a presença do elemento messiânico desvanece-se, sob a presença mais forte e mais visível do materialismo histórico. Todavia, o elemento messiânico na sua obra nunca desapareceu e a prova derradeira é o seu ressurgimento nos últimos textos que redige em vida: O Livro das Passagens e Sobre o Conceito de História.
Por um lado, o messianismo permite-lhe recuperar a tradição judaica, que ele considera em decadência, e dar-lhe um novo ânimo, insuflando o messianismo tradicional com conceitos mais dinâmicos e que pudessem aplicar-se ao conhecimento filosófico e da história. Bebendo no Primeiro Romantismo e em Hamann, Benjamin reencontra nesses autores o verdadeiro espírito de um messianismo que pretende revigorar e, com ele, fortalecer a tradição, no seu sentido mais autêntico. Trata-se de utilizar as categorias de redenção, catástrofe, rememoração, apocatastasis, salvação, linguagem messiânica e história messiânica para revolucionar conceitos que, na sua óptica se encontram em decadência espiritual; isto é, de recuperar esses conceitos do judaísmo tradicional e integrá-los no pensamento filosófico contemporâneo. Face ao desgaste do conceito de experiência kantiana, busca apresentar um novo conceito de experiência superior, que possa abrir-se a uma nova compreensão da história e da tradição. Face ao desgaste de uma concepção da linguagem, prisioneira da sua instrumentalidade, opor-lhe uma nova concepção da linguagem, metafísica e messiânica, capaz de redimir a experiência e a história. Face a uma concepção esvaziada do tempo, um tempo quantitativo e visto na sua sucessão e continuidade imparável e catastrófica, opor-lhe uma concepção de tempo qualitativa que restitua à história a sua dimensão autêntica. Face a uma concepção da história vista de forma progressista e privilegiando apenas os "vencedores", opor uma verdadeira concepção da história que seja capaz de, por um lado, interpretar dialecticamente os factos históricos enquanto fenómenos originários; e, por outro lado, reparar as injustiças e fundar uma ordem messiânica capaz de salvar a própria história, redimindo-a. Assim, é preciso "destruir" e interromper a ordem imparável da história do progresso para (tentar) salvar a experiência e a tradição humanas. Só uma história dialéctica, em que os conceitos fundamentais operatórios sejam a rememoração e a imagem dialéctica, pode salvar a história da catástrofe. Porém tal não se constitui como uma utopia extra-terrena, mas antes uma exigência de fazer com que o presente irrompa, em toda a sua força, constituindo os verdadeiros instantes históricos, o tempo do agora, do Jetztzeit. Só a força do presente, reactualizando e rememorando o presente, pode salvar o conhecimento da história, apresentando-o na imagem dialéctica. Essa é a verdadeira visão messiânica, em que a história e linguagem se fundem, na actualidade plena e integral - entenda-se: messiânica.
Palavras-chave: Messianismo, Revolução, História"
Research Interests:
existe na obra de Rui Nunes, naquilo que a demarca, esse ressassement éternel ou eterna agitação que a constitui na sua peculiaridade. Ela é, assim, da ordem do “acontecimento”, instaurando um território radical, que se revela no modo... more
existe na obra de Rui Nunes, naquilo que a demarca, esse ressassement éternel ou eterna agitação que a constitui na sua peculiaridade. Ela é, assim, da ordem do “acontecimento”, instaurando um território radical, que se revela no modo como se fragmenta o discurso narrativo, quebrando a unidade sem a quebrar verdadeiramente - a coerência e a unidade passam a conhecer outros contornos. Fundindo o monólogo com a narração, operando a cesura, ao nível da linguagem, entramos, com Rui Nunes, numa deambulação pelo espaço literário descentrado. Para Rui Nunes, é a escrita que verdadeiramente interessa. A escrita como experiência, busca e mergulho em si mesma e no seu universo não pode falar-se de unidade, ainda que a coerência do texto seja a sua linha decisiva. Recorde-se Blanchot, ao afirmar que “a essência da literatura é escapar a toda a determinação essencial, a toda a afirmação que a estabilize ou a realize: nunca já lá está”. Deste ponto de vista, o autor não se encontra preocupado com a literatura e tão pouco com o acto da escrita em si, despojado, teórico ou reflexivo, se ele não se encontra indissociavelmente ligado aos seres e à sua condição essencial.
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Como Agamben refere no seu ensaio «Note liminaire sur le concept de Démocratie» (G. Agamben 2009), é preciso esclarecer do que é que falamos quando nos referimos ao conceito de democracia, pois ele «reenvia ao mesmo tempo para a... more
Como Agamben refere no seu ensaio «Note liminaire sur le concept de Démocratie» (G. Agamben 2009), é preciso esclarecer do que é que falamos quando nos referimos ao conceito de democracia, pois ele «reenvia ao mesmo tempo para a conceptualidade do direito público e para o da prática administrativa: designa tanto a forma de legitimação do poder como as modalidades do seu exercício (…)». Ora, é preciso partirmos deste quadro, simultaneamente jurídico-político, por um lado, e económico por outro. É o que tentarei aqui fazer, a partir de um quadro conceptual de conceitos e categorias constituintes e legitimadoras da análise do discurso político e do próprio modelo clássico de democracia. A leitura de autores como Jacques Rancière, sobretudo na sua obra O Ódio á Democracia, bem como Agamben, Badiou, Bensaïd, Zizek, Nancy, entre muitos outros que a problematizaram, elucidam-nos claramente sobre os seus limites e sobre a constante necessidade de revisão do conceito e, também, da sua prática.
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How can one think of History in a time in which Europe happened to be haunted by the specter of catastrophe, in our modern times? How can one escape the perils of Progress? This urgency determined the thought of Walter Benjamin since his... more
How can one think of History in a time in which Europe happened to be haunted by the specter of catastrophe, in our modern times? How can one escape the perils of Progress? This urgency determined the thought of Walter Benjamin since his youth, and decisively marked his conception of history itself, but also of his vision of language and of translation, of his own critique of art and reception. Starting from the concept of dialectic image as a new paradigm of comprehension of history, Benjamin tries to substitute an idea of a narrative of progress for discontinued and figurative idea of history, that regains in the present the possibility of reactivate the past and that values a qualitative dimension of temporality, instead of a quantitative temporality that homogenized and disfigured his reading of history. Benjamin takes, essentially from the idea of Messianism, as a secularized category of Jewish tradition, to “build” what he designated as the dissident and revolutionary gesture of the historian of “brushing history against the grain”, focusing on himself that potentiality of rescuing the “messianic parcel” that become our fate and that brings in itself the echoes of voices that come to us. This is also the most important dimension of Benjamin’s thought, eminently political and ethical, configuring a radical gesture that reclaims justice for the ones that the history of Progress forgot: the overpassed and the victims of history.
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O guarda-portão tem de se curvar profundamente para ele, pois a diferença das estaturas alterou-se em desfavor do homem. «Que mais queres tu saber?» pergunta o guarda-portão, «És insaciável.» «É que toda a gente aspira à Lei», diz o homem... more
O guarda-portão tem de se curvar profundamente para ele, pois a diferença das estaturas alterou-se em desfavor do homem. «Que mais queres tu saber?» pergunta o guarda-portão, «És insaciável.» «É que toda a gente aspira à Lei», diz o homem (…) Kafka, Diante da Lei, Assírio & Alvim, p. 234. Neste tempo, o da nossa contemporaneidade, as ideologias políticas que nos nortearam durante os séculos XIX e XX – ainda que de uma forma diferente-estarão provavelmente moribundas. Os partidos políticos que balizaram as democracias europeias tornaram-se obsoletos para responder aos problemas actuais. As ideologias transformaram-se, elas próprias, num campo de batalha, reclamando a sua tradição, para esconder esse rosto agónico. Por essa razão, a mais óbvia entre muitas outras, certamente, o pessimismo é a palavra de ordem dos nossos dias. Todavia, há uma urgência irrenunciável, no modo como devemos convocar o pensamento contemporâneo para a superação do impasse em que vivemos actualmente. O neo-liberalismo vigente de um mundo que preconizava uma globalização democrática sem barreiras, como um avatar da ideia do progresso, espécie de farol glorioso, conduziu-nos a um beco sem saída. Estamos de volta ao cenário do século XIX, graças à sobreexploração de todas as formas do trabalho e a uma política que conduz a uma desenfreada desigualdade social, com a concomitante perda de direitos e regalias, tão arduamente conquistadas no passado. Como se não bastasse o colapso do capitalismo nas economias americana e europeia, após 2008, arrastando países para a falência económica, ditando uma nova ordem social que é a da pobreza generalizada, a emergência do terrorismo à escala global transformou já a Europa num espectro da democracia, algo que já vinha sendo preconizado pelos pensadores e filósofos europeus como António Negri, Slavov Zizek, Badiou, Jean-Luc Nancy, Rancière e muitos outros (Giorgio Agamben, 2009). Ainda que Zizek insista na ideia de que o capitalismo entrou num período agonizante, o que significaria aqui o seu fim próximo, a verdade é que as alterações sociais do mercado criaram novas condições que permitem a utilização de trabalho mais precário e novas
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Marxismo, messianismo e utopia: a tríade indissociável ea sua experiência na linguagem. Maria João Cantinho [*]. Localice en este documento. Há um encontro misterioso entre as gerações defuntas e aquela de que nós próprios fazemos... more
Marxismo, messianismo e utopia: a tríade indissociável ea sua experiência na linguagem. Maria João Cantinho [*]. Localice en este documento. Há um encontro misterioso entre as gerações defuntas e aquela de que nós próprios fazemos parte. ...
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Modernidade e alegoria em Walter Benjamin. Maria João Cantinho*. Localice en este documento. A MODERNIDADE. Sob a influência de Saturno, como o apresenta o seu amigo Gershom Scholem, na sua bela obra Walter Benjamin ...
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Imagem e Tempo na obra de Maria Gabriela Llansol. Maria João Cantinho. Localice en este documento. Ana de Peñalosa não amava os livros: amava a fonte de energia visível que eles constituem quando descobria imagens ...
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Marxismo, messianismo e utopia: a tríade indissociável ea sua experiência na linguagem. Maria João Cantinho [*]. Localice en este documento. Há um encontro misterioso entre as gerações defuntas e aquela de que nós próprios fazemos... more
Marxismo, messianismo e utopia: a tríade indissociável ea sua experiência na linguagem. Maria João Cantinho [*]. Localice en este documento. Há um encontro misterioso entre as gerações defuntas e aquela de que nós próprios fazemos parte. ...
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Imagem e Tempo na obra de Maria Gabriela Llansol. Maria João Cantinho. Localice en este documento. Ana de Peñalosa não amava os livros: amava a fonte de energia visível que eles constituem quando descobria imagens ...
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Modernidade e alegoria em Walter Benjamin. Maria João Cantinho*. Localice en este documento. A MODERNIDADE. Sob a influência de Saturno, como o apresenta o seu amigo Gershom Scholem, na sua bela obra Walter Benjamin ...
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Resumo: Nunca será excessivo lembrar que o tema da experiência é um dos conceitos nucleares no pensamento de Benjamin, estando subjacente à análise da história e à sua teoria crítico-literária e desenvolvendo-se em complexas ramificações... more
Resumo: Nunca será excessivo lembrar que o tema da experiência é um dos conceitos nucleares no pensamento de Benjamin, estando subjacente à análise da história e à sua teoria crítico-literária e desenvolvendo-se em complexas ramificações que têm o seu lugar, sobretudo, a partir da década de 30. Se o texto "A Imagem de Proust", publicado em 1929 na revista “Literatische Welt”, desenvolve o conceito de memória involuntária para explicar a questão da imagem aurática em Proust, obtida a partir da rememoração, a contribuição dos estudos de Freud sobre a teoria do choque e as suas consequências nas condições de percepção do homem contemporâneo não foram menos importantes, tendo levado Walter Benjamin a aprofundar a sua reflexão sobre o modo como o choque e a rememoração se podem articular para uma nova visão da história, tanto individual quanto colectiva. Examinamos aqui, tanto nas artes, como na literatura e na história, a forma como esse entrosamento define uma nova concepção de experiência, bem como essa experiência torna, ou não, possível a transmissão da cultura, num mundo em que, como disse Kafka, “a tradição adoeceu”. Será a rememoração, essa teia de Penélope, capaz de operar um resgate da tradição histórica? De que tradição falamos aqui? E em que consiste a rememoração?
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Após a década de 90, a obra de Aby Warburg foi “revisitada” por autores que fizeram um trabalho notável na sua divulgação e igualmente na pesquisa do seu arquivo. De uma actualidade bem pertinente, os conceitos warburgianos são... more
Após a década de 90, a obra de Aby Warburg foi “revisitada” por autores que fizeram um trabalho notável na sua divulgação e igualmente na pesquisa do seu arquivo. De uma actualidade bem pertinente, os conceitos warburgianos são considerados hoje um importante marco na viragem da historiografia, sobretudo quando aplicada a temas como a fotografia, o cinema e a história de arte. A ideia de uma “ciência sem nome”, aludindo a uma pretensa unidade da ciência, visa uma interdisciplinaridade que é hoje um dos conceitos caros às ciências humanas. Por outro lado, Warburg partilhava com Benjamin uma historiografia ao arrepio do historicismo e de uma visão redutora da história. É precisamente a partir do conceito de imagem e da “imagem em movimento” e também da ideia de “vida póstuma das imagens” (Nachleben) que Warburg parte, para definir a abertura da historiografia.
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In this article, we analyze the way Benjamin’s conception of pure language, defended since his earlier work (clearly in 1916, in the text On Language as Such and on the Language of Man), will determine his theory of critics and... more
In this article, we analyze the way Benjamin’s conception of pure language, defended since his earlier work (clearly in 1916, in the text On Language as Such and on the Language of Man), will determine his theory of critics and translation, namely in the period prior to his contact with Marxism, through Asja Lascis. In order to do so, it’s necessary to map the fundamental concepts from his earlier work and to understand the way they will develop subsequently in the texts about critics, like The Concept of Criticism in German Romanticism and The Origin of German Tragic Drama or even other texts.
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Resumo: Nuno Júdice assume a sua obra poética como o resultado de um trabalho oficinal e metódico. E é também neste contexto, o de uma reparação do mundo, que lhe reconheço a tonalidade saturnina que irradia em toda a sua obra, podendo... more
Resumo:
Nuno Júdice assume a sua obra poética como o resultado de um trabalho oficinal e metódico. E é também neste contexto, o de uma reparação do mundo, que lhe reconheço a tonalidade saturnina que irradia em toda a sua obra, podendo aludir-se a uma espécie de luz crepuscular que convoca elos secretos, cifras de um universo arruinado e nos remete para uma configuração peculiar da estética e da crítica literárias, num sentido alegórico. Por detrás do olhar de reconhecimento de um mundo fragmentado, esconde-se essa vontade de restituição de sentido, que é irrecusável no poeta, o desejo de fazer “parar o tempo”, para salvar as coisas arruinadas.
Nuno Júdice assume a sua obra poética como o resultado de um trabalho oficinal e metódico. E é também neste contexto, o de uma reparação do mundo, que lhe reconheço a tonalidade saturnina que irradia em toda a sua obra, podendo aludir-se a uma espécie de luz crepuscular que convoca elos secretos, cifras de um universo arruinado e nos remete para uma configuração peculiar da estética e da crítica literárias, num sentido alegórico. Por detrás do olhar de reconhecimento de um mundo fragmentado, esconde-se essa vontade de restituição de sentido, que é irrecusável no poeta, o desejo de fazer “parar o tempo”, para salvar as coisas arruinadas.
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Esta coletânea reflete sobre o pensamento de Nancy e Derrida nas questões filosóficas, literárias, éticas e políticas; o diálogo que eles próprios e suas obras estabeleceram com Lacoue-Labarthe, Blanchot, Levinas e Benjamin, bem comosua... more
Esta coletânea reflete sobre o pensamento de Nancy e Derrida nas questões filosóficas, literárias, éticas e políticas; o diálogo que eles próprios e suas obras estabeleceram com Lacoue-Labarthe, Blanchot, Levinas e Benjamin, bem comosua influência no desenvolvimento intelectual contemporâneo.
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Sinopse Mudanças no campo teórico e metodológico da História, ocorridas nas últimas décadas, permitiu aos historiadores construir distintos objetos de pesquisa. Outros paradigmas, campos temáticos e fontes passaram a compor os domínios... more
Sinopse
Mudanças no campo teórico e metodológico da História, ocorridas nas últimas décadas, permitiu aos historiadores construir distintos objetos de pesquisa. Outros paradigmas, campos temáticos e fontes passaram a compor os domínios da disciplina, aproximando-a de outras ciências, possibilitando um diálogo intenso e ao mesmo tempo conflituoso. O olhar do historiador voltou-se para estudos relacionados às mentalidades, ao cotidiano, vida privada, mulheres, negros, pobres, cultura... Outras formas de construir e pensar o passado se desenharam, permitindo-nos compreender que há diferentes modos de ver, sentir e interpretar a História.
Aprendemos assim, que verdades conclusas, absolutas e incontestáveis, são adjetivações que não cabem mais na bagagem dessa ciência. Percebemos que a apreensão do passado é limitada, que o trabalho do historiador deve considerar suas experiências, vivências e escolhas. Distanciamo-nos da neutralidade e da autoridade do discurso. Desconstrução, desmontagem, crítica e reflexão passaram a figurar, com mais densidade, o universo metodológico do historiador.
Nessa perspectiva, esperamos que os textos que ora entregamos a leitura e crítica, possam ajudar a construir sentidos e significados a História. Mas, que possam também indicar o movimento, fluidez e balanço das águas.
Mudanças no campo teórico e metodológico da História, ocorridas nas últimas décadas, permitiu aos historiadores construir distintos objetos de pesquisa. Outros paradigmas, campos temáticos e fontes passaram a compor os domínios da disciplina, aproximando-a de outras ciências, possibilitando um diálogo intenso e ao mesmo tempo conflituoso. O olhar do historiador voltou-se para estudos relacionados às mentalidades, ao cotidiano, vida privada, mulheres, negros, pobres, cultura... Outras formas de construir e pensar o passado se desenharam, permitindo-nos compreender que há diferentes modos de ver, sentir e interpretar a História.
Aprendemos assim, que verdades conclusas, absolutas e incontestáveis, são adjetivações que não cabem mais na bagagem dessa ciência. Percebemos que a apreensão do passado é limitada, que o trabalho do historiador deve considerar suas experiências, vivências e escolhas. Distanciamo-nos da neutralidade e da autoridade do discurso. Desconstrução, desmontagem, crítica e reflexão passaram a figurar, com mais densidade, o universo metodológico do historiador.
Nessa perspectiva, esperamos que os textos que ora entregamos a leitura e crítica, possam ajudar a construir sentidos e significados a História. Mas, que possam também indicar o movimento, fluidez e balanço das águas.
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En observant le nombre de publications, de débats et de discussions autour du messianisme, on ne peut que constater l’actualité de ce débat. La conjonction de ces questions forme un nœud complexe et incontournable, touchant aussi bien à... more
En observant le nombre de publications, de débats et de discussions autour du messianisme, on ne peut que constater l’actualité de ce débat. La conjonction de ces questions forme un nœud complexe et incontournable, touchant aussi bien à des problèmes historiques, politiques, éthiques que linguistiques. Peut-être est-il difficile de dessiner l’ensemble de la configuration du messianisme, mais il n’est pas impossible de trouver quelques idées directrices permettant d’esquisser les traces aidant à la compréhension du phénomène messianique. Partant de l’affirmation de Gérard Bensussan, « le messianisme est absolument moderne », cet état de fait peut être attribué à l’inquiétude et à l’insécurité qui menacent notre histoire à travers, notamment, le panorama politique actuel.
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Vestígios de uma alquimia impossível. Maria João Cantinho. Localice en este documento. (...) tanto mais poderoso e esquivo se tornava o verbo, um mar pairando, um fogo pairando, pesado como o mar e leve como o mar, mas ...
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Trata-se de um estudo biográfico e da poesia de Paul Celan
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L'Histoire est une question essentielle de la pensée de Benjamin. À une époque où la couleur dominante c'est la menace de la guerre et la destruction des idéologies, des valeurs et idéaux classiques, au nom d'une débridée vision... more
L'Histoire est une question essentielle de la pensée de Benjamin. À une époque où la couleur dominante c'est la menace de la guerre et la destruction des idéologies, des valeurs et idéaux classiques, au nom d'une débridée vision progressiste et continuée de l'histoire humaine, il faut réveiller du cauchemar de la catastrophe de l'histoire. Celle-ci c'est responsable par la dissolution du concept d'expérience, en aliénant l'homme et en lui laissant abandonné et délivré au vide de l'expérience du choc, à la fragmentation de la narration et à la perte de la tradition. En recourant à la tradition juive de l'histoire, en pensant et reconfigurant des concepts qui lui sont propres, tel comme le concept de catastrophe, de mes-sianisme, rédemption, remémoration, Benjamin construit (comme Rosenzweig, Scholem et Bloch) une théorie que puisse opérer une déconstruction de la conti-nuité de l'histoire, en valorisant l'objet historique, en détachant du flux et en lui sauvant de la catastrophe. Il s'agit d'un méthode destructif et violent, mais que vise la restauration d'une vision de l'histoire que soie capable de réparer les in-justices et la souffrance humaine. Plus qu'historique et temporel, cette nouvelle ordre inscrit le sacré dans l'ordre profane, en rédimant l'événement historique et en lui sauvant par l'instant dialectique.
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How can one think of History in a time in which Europe happened to be haunted by the specter of catastrophe, in our modern times? How can one escape the perils of Progress? This urgency determined the thought of Walter Benjamin since his... more
How can one think of History in a time in which Europe happened to be haunted by the specter of catastrophe, in our modern times? How can one escape the perils of Progress? This urgency determined the thought of Walter Benjamin since his youth, and decisively marked his conception of history itself, but also of his vision of language and of translation, of his own critique of art and reception. Starting from the concept of dialectic image as a new paradigm of comprehension of history, Benjamin tries to substitute an idea of a narrative of progress for discontinued and figurative idea of history, that regains in the present the possibility of reactivate the past and that values a qualitative dimension of temporality, instead of a quantitative temporality that homogenized and disfigured his reading of history. Benjamin takes, essentially from the idea of Messianism, as a secularized category of Jewish tradition, to “build” what he designated as the dissident and revolutionary gesture of the historian of “brushing history against the grain”, focusing on himself that potentiality of rescuing the “messianic parcel” that become our fate and that brings in itself the echoes of voices that come to us. This is also the most important dimension of Benjamin’s thought, eminently political and ethical, configuring a radical gesture that reclaims justice for the ones that the history of Progress forgot: the overpassed and the victims of history.
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Como Agamben refere no seu ensaio «Note liminaire sur le concept de Démocratie» (G. Agamben 2009), é preciso esclarecer do que é que falamos quando nos referimos ao conceito de democracia, pois ele «reenvia ao mesmo tempo para a... more
Como Agamben refere no seu ensaio «Note liminaire sur le concept de Démocratie» (G. Agamben 2009), é preciso esclarecer do que é que falamos quando nos referimos ao conceito de democracia, pois ele «reenvia ao mesmo tempo para a conceptualidade do direito público e para o da prática administrativa: designa tanto a forma de legitimação do poder como as modalidades do seu exercício (…)». Ora, é preciso partirmos deste quadro, simultaneamente jurídico-político, por um lado, e económico por outro. É o que tentarei aqui fazer, a partir de um quadro conceptual de conceitos e categorias constituintes e legitimadoras da análise do discurso político e do próprio modelo clássico de democracia. A leitura de autores como Jacques Rancière, sobretudo na sua obra O Ódio á Democracia, bem como Agamben, Badiou, Bensaïd, Zizek, Nancy, entre muitos outros que a problematizaram, elucidam-nos claramente sobre os seus limites e sobre a constante necessidade de revisão do conceito e, também, da sua prática.
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How can one think of History in a time in which Europe happened to be haunted by the specter of catastrophe, in our modern times? How can one escape the perils of Progress? This urgency determined the thought of Walter Benjamin since his... more
How can one think of History in a time in which Europe happened to be haunted by the specter of catastrophe, in our modern times? How can one escape the perils of Progress? This urgency determined the thought of Walter Benjamin since his youth, and decisively marked his conception of history itself, but also of his vision of language and of translation, of his own critique of art and reception. Starting from the concept of dialectic image as a new paradigm of comprehension of history, Benjamin tries to substitute an idea of a narrative of progress for discontinued and figurative idea of history, that regains in the present the possibility of reactivate the past and that values a qualitative dimension of temporality, instead of a quantitative temporality that homogenized and disfigured his reading of history. Benjamin takes, essentially from the idea of Messianism, as a secularized category of Jewish tradition, to “build” what he designated as the dissident and revolutionary gesture of the historian of “brushing history against the grain”, focusing on himself that potentiality of rescuing the “messianic parcel” that become our fate and that brings in itself the echoes of voices that come to us. This is also the most important dimension of Benjamin’s thought, eminently political and ethical, configuring a radical gesture that reclaims justice for the ones that the history of Progress forgot: the overpassed and the victims of history.
