"RESUMO Esta tese visa analisar o conceito de messianismo na obra de Walter Benjamin. Procuramos, acima de tudo, mostrar que este conceito não é um tema pacífico e que reúna o consenso, mas, pelo contrário, é muito polémico e...
more"RESUMO
Esta tese visa analisar o conceito de messianismo na obra de Walter Benjamin. Procuramos, acima de tudo, mostrar que este conceito não é um tema pacífico e que reúna o consenso, mas, pelo contrário, é muito polémico e controverso, na sua obra. Se, por um lado, numa primeira fase, Benjamin revela nos seus textos, de forma muito clara e explícita, a presença dessa tonalidade messiânica, por outro, nos textos mais tardios, a presença do elemento messiânico desvanece-se, sob a presença mais forte e mais visível do materialismo histórico. Todavia, o elemento messiânico na sua obra nunca desapareceu e a prova derradeira é o seu ressurgimento nos últimos textos que redige em vida: O Livro das Passagens e Sobre o Conceito de História.
Por um lado, o messianismo permite-lhe recuperar a tradição judaica, que ele considera em decadência, e dar-lhe um novo ânimo, insuflando o messianismo tradicional com conceitos mais dinâmicos e que pudessem aplicar-se ao conhecimento filosófico e da história. Bebendo no Primeiro Romantismo e em Hamann, Benjamin reencontra nesses autores o verdadeiro espírito de um messianismo que pretende revigorar e, com ele, fortalecer a tradição, no seu sentido mais autêntico. Trata-se de utilizar as categorias de redenção, catástrofe, rememoração, apocatastasis, salvação, linguagem messiânica e história messiânica para revolucionar conceitos que, na sua óptica se encontram em decadência espiritual; isto é, de recuperar esses conceitos do judaísmo tradicional e integrá-los no pensamento filosófico contemporâneo. Face ao desgaste do conceito de experiência kantiana, busca apresentar um novo conceito de experiência superior, que possa abrir-se a uma nova compreensão da história e da tradição. Face ao desgaste de uma concepção da linguagem, prisioneira da sua instrumentalidade, opor-lhe uma nova concepção da linguagem, metafísica e messiânica, capaz de redimir a experiência e a história. Face a uma concepção esvaziada do tempo, um tempo quantitativo e visto na sua sucessão e continuidade imparável e catastrófica, opor-lhe uma concepção de tempo qualitativa que restitua à história a sua dimensão autêntica. Face a uma concepção da história vista de forma progressista e privilegiando apenas os "vencedores", opor uma verdadeira concepção da história que seja capaz de, por um lado, interpretar dialecticamente os factos históricos enquanto fenómenos originários; e, por outro lado, reparar as injustiças e fundar uma ordem messiânica capaz de salvar a própria história, redimindo-a. Assim, é preciso "destruir" e interromper a ordem imparável da história do progresso para (tentar) salvar a experiência e a tradição humanas. Só uma história dialéctica, em que os conceitos fundamentais operatórios sejam a rememoração e a imagem dialéctica, pode salvar a história da catástrofe. Porém tal não se constitui como uma utopia extra-terrena, mas antes uma exigência de fazer com que o presente irrompa, em toda a sua força, constituindo os verdadeiros instantes históricos, o tempo do agora, do Jetztzeit. Só a força do presente, reactualizando e rememorando o presente, pode salvar o conhecimento da história, apresentando-o na imagem dialéctica. Essa é a verdadeira visão messiânica, em que a história e linguagem se fundem, na actualidade plena e integral - entenda-se: messiânica.
Palavras-chave: Messianismo, Revolução, História"